Bem Vindos !



A LUZ Da CITÂNIA

Bem Vindos tôdos(as) os que Amam a Lusitânia , tôdos(as) os que Amam Portugal. Estejam á Vontade nesta humilde casa , aonde podem Descansar junto á Lareira do Coração... Do que aqui poderão encontrar, nada vos levará ao sôno da Inconsciência, mas, tal como diz o Nosso Pôvo na sua Sabedoria Milenar, «Não se pode agradar a Grêgos e a Trioânos...». Assim, nem tôdos concordarão com o que aqui está Escrito, mas tudo o que é aqui Dito, foi ( e é) Vivido por mim, Muito embora tantas e tantas vêzes sentido,pensado e escrito por outros/as, outros/as com os/as quais me Identifico, no sentido essencial e mais vasto, porque Irmanados no Passado, no Presente e no Destino Luminôso de Portugal, O Pôrto-Do-Graal.
Poder-se-á Falar aqui de várias tradições espirituais, uma vez que Dêus é só UM, mas a minha, a Nossa Tradição, a de Portugal, é Cristã. Quando me refiro a Cristã, não me refiro a qualquer instituição religiosa organizada, mas á Vivência da Tradição Original Cristã,
Aquela que nos foi Legada por Cristo, o nosso Amado Senhôr. Uma Coisa é Certa: Aqui Amamos a Dêus, o nosso PAI Celestial , a Jesus Cristo, o Seu Filho Dilecto e o nosso Redentôr, á Sua Mãe, a Virgem Mãe Santíssima, e ao Seu Santo Espírito , o Verbo Criadôr,
Porque Êsse Foi( É) o Amôr e A Razão da Existência de Portugal, e o seu Destino Maior.
Nêste pequenino rinchão Rectangular Ancestral de Tamanho Mundial, nêste Balcão que Mira o Atlântico profundo, Portugal aguarda o Regresso da sua Mãe Ancestral, A Atlântida, á Luz da Vastidão do Luso Mar... Por isso mêsmo, não meçam o que aqui vêem, ou ouvem, ou sentem, limitando-vos ás Aparências... A Realidade por Detrás das Aparências, Quer Levar-nos para mais Longe e para Mais Alto...
E como, a Lusitânia da nossa Alma , não tem medida , a nossa querida Mãe do Céu e da Terra não SE Limita, também não existem limites Aqui na Luz da Citânia... o único Limite, se assim me posso expressar, é Ilimitado, Um Rumo Inalterado que nos leva de volta a Cristo. Cristo, não como um conceito vago, ou como religião limitativa, mas como o Verbo Encarnado , o Senhôr e Rey de Portugal e a Génese Espiritual e Existencial Desta Terra de Santa Maria. Santa Maria que É A Luz da Citânia, ou A Terra da LUZ Divina, onde A Mãe Celestial Estabeleceu o Seu Trôno Terreal.
Aqui Ela Está presente há muitos séculos, Algo que o nosso Primeiro Rey, Dom Afonso Henriques, Abençoado por Jesus Cristo na Batalha de Ourique(Abençoando Assim Portugal!), Reconheceu dêsde a primeira Hora da Nação.

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01/12/2015

O Primeiro de Dezembro de 1640 !

A Restauração da Independência de Portugal  

 




 

«Em 1640, quando a burguesia e a aristocracia portuguesas, descontentes com o domínio castelhano sobre Portugal que se propunha efectivar o valido Olivares, terminando com a Monarquia Dual, quiseram restaurar a dinastia portuguesa, foi ele o escolhido para encabeçar a causa. Dom João aceitou a responsabilidade com relutância, diz a lenda que incentivado sobretudo pela sua mulher Dona Luísa de Gusmão. 


Este facto ter-se-á devido à prudência que se impunha na escolha da conjuntura favorável, e do tempo preparatório necessário para o efeito, visto Portugal nessa época estar quase desarmado, e Castela ser ainda ao tempo a maior potência militar na Europa. Dona Luísa de Gusmão, sendo irmã do Duque de Medina Sidónia que sonhou revoltar-se com a Andaluzia de que chegou a sonhar ser rei, estaria talvez influenciada por ele.
A nomeação do Duque para governador-geral das armas de Portugal veio a ser o motor da revolta, propiciando-a. Nos fins de Junho de 1639 esteve em Almada, sendo visitado por muitos nobres, desesperados alguns com as violências do governo filipino. Entre eles, Pedro de Mendonça Furtado, acima referido, Jorge de Melo (irmão do Monteiro-mor), D. Antão de Almada e o velho D. Miguel de Almeida (da casa de Abrantes). O plano da conjura teria sido então apresentado ao Duque: eles, e seus parentes e amigos, aclamavam-no em Lisboa, apoderando-se do Paço, matando o detestado Miguel de Vasconcelos. Mas o Duque recusou, pela consciência de que «não havia ainda ocasião» e aconselhou prudência aos mais exaltados. 




No dia 1º de Julho, o Duque foi a Lisboa saudar a princesa Margarida e teve calorosa recepção da parte da nobreza, dos membros do clero e do povo.
Eram factores vivos de revolta a forçada presença de muitos nobres portugueses em Madrid, e a novidade de um recrutamento de tropas lusitanas para irem ajudar a reprimir a independência recentemente declarada da Catalunha. Em Agosto de 1640, Filipe III de Portugal pretendeu convocar Cortes nos seus outros reinos de Aragão e de Valência, para aquietar o espírito dos catalães, ordenando que o acompanhassem nessa jornada também fidalgos portugueses, sobretudo aqueles que eram comendadores das ordens militares. «Todos compreenderam que partindo para a Espanha iriam acelerar o processo de absorção política que o conde-duque de Olivares pretendia», segundo Veríssimo Serrão, e «na recusa de muitos em cumprir o mandado régio terá de ver-se o detonador do movimento que veio a estalar em 1º de Dezembro seguinte.»


Houve então uma reunião em 12 de Outubro em casa de D. Antão de Almada. Mendonça Furtado foi a Évora, sondar o Francisco de Melo, marquês de Ferreira, também ele um Bragança, e outros nobres, e depois a Vila Viçosa, onde não escondeu ao Duque a urgência dos conjurados em lançarem o movimento. 



Para a aceitação de Dom João teriam contribuído António Pais Viegas e a duquesa D. Luísa que, segundo a tradição romântica tardia, «de maneira varonil, quebrara os receios do marido ao afirmar que antes queria morrer reinando do que acabar servindo.»
A 1 de Dezembro deu-se o golpe palaciano e, em 15 de Dezembro foi aclamado Rei de Portugal.



Reuniões secretas


Depois da conversa definitiva com o Duque de Bragança, os conspiradores reuniram-se várias vezes em Lisboa para combinarem como e quando haviam de fazer a revolução.
Essas reuniões tinham de ser feitas às escondidas para que não chegassem aos ouvidos da regente Duquesa de Mântua e do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos. Se a notícia se espalhasse, seriam acusados de traição e condenados à morte.



Mas, mesmo que não conseguissem provas para os incriminar, qualquer rumor acerca do que se preparava teria efeitos desastrosos porque os soldados castelhanos de guarnição em Lisboa ficariam em estado de alerta, eliminando-se o efeito surpresa. Todo o cuidado era pouco.


As reuniões realizaram-se em 3 sítios: no palácio de Jorge de Melo, em Xabregas, no Palácio dos Duques de Bragança em Lisboa, no Chiado, e no Palácio Almada, de D. Antão de Almada, no Rossio (hoje mais chamado Palácio da Independência por essa razão). Para não levantar muitas suspeitas os conspiradores nunca iam juntos e cada um seguia no seu coche com as cortinas corridas. A conspiração ia-se assim realizando…


Aclamação de D. João IV como Rei de Portugal

Fonte coeva fundamental sobre o assunto é o volume I da História de Portugal Restaurado da autoria do Conde da Ericeira, republicada modernamente no Porto em edição anotada e prefaciada por António Álvaro Dória, em 1945.
Narra a tradição que D. Filipa de Vilhena, futura marquesa de Atouguia, armou cavaleiros na véspera da conjura, a fim de nela poderem participar, a seus filhos D. Francisco Coutinho e D. Jerónimo de Ataíde.


O mesmo dizem ter feito outra intrépida fidalga, Dona Mariana de Lencastre, armando cavaleiros pela mesma altura aos seus dois filhos Fernão Teles de Menezes, futuro primeiro conde de Vilar Maior, e António Teles da Silva, futuro governador-geral do Brasil.


É costume afirmar que Miguel de Vasconcelos não soube da revolta, pelo que não tomou providências. Mas está provado, diz o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, que lhe chegaram anteriormente rumores da conjura e que na véspera recebeu uma carta, que por descuido não abriu, com o nome dos conjurados.



O número de fidalgos intervenientes no Primeiro de Dezembro é geralmente dito de quarenta, talvez por arrastamento mental do ano da revolução, afirmando no entanto alguns autores que foram em maior número do que esse.

 
No dia 1º de Dezembro, de manhã muito cedo, dirigiram-se os fidalgos e os seus criados, todos bem armados, ao Paço da Ribeira,


 aonde rompendo por ele dentro, entraram nos aposentos da princesa regente, a vice-rainha Margarida Gonzaga, duquesa viúva de Mântua, prima do rei Habsburgo, que facilmente dominaram, 

 
 
passando a procurar então a Miguel de Vasconcelos, o português traidor secretário de Estado, 
 aliado do valido castelhano Olivares no seu recente projecto de anexação de Portugal e outros reinos a Castela, no quadro de uma centralização à francesa, inspirada no modelo de Richelieu, que desejava aplicar à multifacetada monarquia hispânica filipina em bloco.

 
O principal comando da operação parece ter estado nas mãos de D. Miguel de Almeida, futuro conde de Abrantes, de Jorge de Melo, irmão do Monteiro-mor, de D. Antão de Almada, que veio a ser o primeiro embaixador em Londres, e de João Pinto Ribeiro, agente do duque de Bragança em Lisboa. Após eles, outros fidalgos – todos filhos segundos – como D. João da Costa, D. Gastão Coutinho, João Saldanha da Gama, Manuel de Melo, os dois referidos irmãos António Teles da Silva e Fernão Teles de Meneses, D. António Mascarenhas e outros. 


Esta delegação da responsabilidade da insurreição nos filhos segundos das casas fidalgas, a exemplo do que em outras várias ocasiões sucedeu na História de Portugal até ao século XIX, permitia manter a salvo de consequências maiores e mais graves as mesmas, se a insurreição viesse a falhar, permanecendo oficialmente os chefes de casa fiéis à ordem reinante, e ignorantes da conspiração da juventude.



Naquele tempo as notícias viajavam por mensageiros e portanto demoravam a chegar ao destino. O Duque de Bragança aguardava no Palácio de Vila Viçosa o resultado da conspiração e, segundo os documentos da época, só soube a boa-nova no dia 3. Muitos outros mensageiros espalharam-se por todo o país a cavalo, levando consigo cartas para as autoridades de cada terra se encarregarem de aclamar o novo rei. A aclamação em todo o território português fez-se pacifica e alegremente, desde Bragança ao Algarve, desde o Minho à Madeira, de Lisboa a Macau, passando pelo Brasil, África e Índia: excepto na cidade de Ceuta, que dependia excessivamente por então do suporte militar e alimentar por parte da sua vizinha Castela, a quem continuou ligada. Por todo o lado as populações explodiam de felicidade.


Logo se escolheram os governadores provisórios do Reino, durante os poucos dias que decorreriam até à chegada de D. João à sua capital: D. Rodrigo da Cunha, arcebispo de Lisboa, D. Sebastião de Matos de Noronha, arcebispo de Braga, e o visconde de Vila Nova de Cerveira D. Lourenço de Lima, os quais deram ordem para os tribunais continuarem no exercício de funções, pois estava garantido o sossego da cidade.


 D. João IV chegou a Lisboa na noite de 6 de Dezembro. Nos dias seguintes houve festejos, procissões e iluminações públicas. Enquanto se preparava a cerimónia da aclamação, o rei ocupava-se a nomear embaixadores, que deveriam partir a fim de que os países estrangeiros reconhecessem a alteração dinástica em Portugal, e generais, que deviam encarregar-se da defesa das fronteiras e dos portos. Ninguém tinha dúvidas que o tirano destronado Filipe III, e sobretudo o seu valido castelhano Olivares, não iriam cruzar os braços. Decerto este trataria de preparar exércitos para invadir Portugal. A notícia da aclamação da casa de Bragança chegou a Madrid a 7 de Dezembro, levada por um estafeta castelhano ao serviço do governador de Badajoz. Como era de prever, os castelhanos acusaram de traição não só ao Duque de Bragança mas a todos os que tinham participado no movimento palaciano. No entanto, as tropas castelhanas não marcharam logo para a fronteira portuguesa porque estavam demasiado ocupadas e dispersas nos teatros da Guerra dos Trinta Anos, e nomeadamente com a revolta da Catalunha suportada militarmente pela França de Richelieu, o que deu tempo aos portugueses para se organizarem na defesa.


No dia 15 de Dezembro de 1640, foi alçado e aclamado solenemente em Lisboa D. João IV. A cerimónia decorreu num grande teatro de madeira armada, revestido de preciosos panejamentos, contíguo à engalanada varanda do Paço da Ribeira, e com ela comunicante. Varanda pela qual saiu o novo rei em complicado e demorado cerimonial hierárquico para o Terreiro defronte aonde, diante da Nobreza, do Clero e do Povo de Portugal, jurou manter, respeitar, e fazer cumprir os tradicionais foros, liberdades e garantias dos Portugueses, violados pelo seu antecessor estrangeiro.


 Esteve o monarca rodeado dos mais altos oficiais-mores da corte portuguesa, fidalgos que em geral manteve nos cargos e dignidades áulicas que já exerciam anteriormente: o camareiro-mor João Rodrigues de Sá, o Condestável D. Francisco de Melo, marquês de Ferreira, o alferes-mor Fernão Teles de Meneses, 1º conde de Vilar Maior, o mordomo-mor D. D. Manrique da Silva, futuro primeiro marquês de Gouveia, o reposteiro-mor Bernardim de Távora e o guarda-mor Pedro de Mendonça Furtado. A oração de praxe da aclamação, documento político -jurídico enunciando os direitos esbulhados da casa de Bragança ao trono português nesse dia restaurados, coube a um notável jurista que se destacaria depois também como diplomata, o Dr. Francisco de Andrade Leitão. E depois do alferes-mor entoar em uníssono com todos os presentes, em alta voz, o triplo brado tradicional, Real, Real, por El-Rei Dom João de Portugal, o Conde de Cantanhede, presidente do Senado da Câmara de Lisboa, fez entrega ao rei das chaves da cidade, tendo então início o solene cortejo que processionalmente se dirigiu] rumo à Sé, aonde foi celebrado um solene Te Deum de graças.


 É também de frisar que D. João IV, no acto da sua coroação, Coroou Rainha de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, colocando-LHE aos pés a Corôa de Rainha, e que , a partir desse momento , ficou Estabelecida como Padroeira de Portugal. Esta acção repercutiu-se até hoje, na Devoção dos Portugueses á Nossa Senhora, patente no número largo de orações e cânticos que evocam Nossa Senhora e Portugal como pares .


A Guerra da Restauração

 
Formatura no Terreiro do Paço
(não encontrei o autôr) 

Após a Restauração, o problema militar era primordial. Um decreto de 11 de dezembro de 1640 instituiu o Conselho de Guerra formado por 10 membros com experiência militar: o conde de Óbidos, Matias de Albuquerque, D. Francisco de Faro, D. Gastão Coutinho, João Pereira Corte-Real, D. Álvaro de Abranches, Jorge de Melo, Fernão da Silveira, D. Jorge de Meneses e Vasco Fernandes César.
Uma parte da nobreza e alguns prelados se mostraram hostis, e em Madrid assim que a «rebelião» do duque de Bragança foi conhecida, foi considerado traidor, versão que a diplomacia filipina espalhou nas capitais europeias. Os que viviam em Madrid recusaram a oferta de regresso e de perdão do monarca, «na inveja senhorial que mantinham pela casa de Bragança», segundo Veríssimo Serrão. Houve assim grave cisão no corpo da nobreza, que se confirma pelas tensas e lembranças concedidas desde 1641, e «a limpeza no tecido social alterou em muitas famílias o quadro da sucessão patrimonial, havendo muitos nobres que pagaram com o definitivo exílio o seu desamor ou falta de confiança na Restauração». Houve mesmo tentativa de assassinar D. João IV e no «Rossio, a 29 de Agosto de 1641, pagaram os riscos da conspiração o marquês de Vila Real, o duque de Caminha, o conde de Armamar e D. Agostinho Manuel, assim como o doutor Belchior da Fonseca, Cristóvão Cogominho, guarda-mor da Torre do Tombo, Pedro de Baeça», alguns mercadores, e outros mais. «A sentença puniu os crimes de lesa-pátria e lesa-majestade, pelo que o silêncio foi tido por encobrimento.»




Seguiu-se uma guerra com Espanha na Península e nas colónias, onde Portugal foi assistido pela Inglaterra, França e Suécia (adversários dos espanhóis na guerra dos trinta anos). Pese embora a conjura de 1641 contra o novo rei, da qual resultou uma severa punição para os seus responsáveis, D. João IV teve o apoio da grande maioria da sociedade portuguesa, o que lhe permitiu criar novos impostos, desvalorizar a moeda e recrutar voluntários para fazer face às necessidades monetárias e humanas de um confronto militar que se adivinhava próximo com a vizinha Espanha.
D. João IV enviou também diplomatas às principais cortes europeias com o objectivo de conseguir o reconhecimento da independência e de obter apoios financeiros e militares. Sendo necessário justificar que D. João IV não era um rebelde mas sim o legítimo herdeiro do trono, que havia sido usurpado por Filipe II de Espanha. D. João IV assume-se como o herdeiro de Catarina de Bragança, candidata ao trono e afastada por Filipe II em 1580.


Das Cortes de 1641 saiu uma nova doutrina que defendia que o poder provinha de Deus através do povo, que, por sua vez, o transferia para o rei. Em caso de usurpação ou tirania, o povo tinha o poder de destituir o rei, precisamente o que aconteceu com Filipe IV.


Campanhas Militares


 

Em 1641 verificaram-se também os primeiros confrontos. O Alentejo era visado, como parte mais vulnerável do Reino e principal domínio da Casa de Bragança, além de porta natural da foz do Tejo. 

 Batalha das Linhas de Elvas, 14 de Janeiro de 1659 (pormenor), 
Pintura do século XVII

O conde de Vimioso concentrou em Elvas os meios de defesa mas, tendo-se fortalecido em Badajoz, o conde de Monterrey atacou Campo Maior e Olivença. Vimioso foi substituído por um militar com experiência ultramarina, Matias de Albuquerque, que providenciou a defesa das praças, do Marvão a Serpa.
 

Em 1642 houve ataque ao sotavento algarvio, Alcoutim e Castro Marim, mas o perigo foi conjurado. Na Beira Alta e no Alto Minho houve apenas escaramuças. Na primavera de 1644 os espanhóis concentraram seu poderio em Badajoz, e a primeira grande vitória do exército português deu-se em 26 de Maio na Batalha do Montijo, além de uma tentativa fracassada dos espanhóis no cerco de Elvas. Montijo revigorou o ideal da Restauração, e Matias de Albuquerque recebeu o título de conde de Alegrete.


A Espanha estava fortemente mergulhada na Guerra dos Trinta Anos, «a cuja paz a nação vizinha aspirava para poder lançar seu peso militar contra Portugal», pelo que foi preciso esperar pelo fim da guerra entre franceses e espanhóis, em 1659, para que os espanhóis pudessem concentrar todas as suas atenções na anulação da Restauração portuguesa. Os anos até 1656 foram salvadores para Portugal, ajudando a coroa a empreender o grande esforço militar e financeiro para assegurar o triunfo.  ...» (texto retirado do blogue da amiga , grande Portuguêsa e Pintôra Gabriela Marques da Costa )




 A intensidade da luta armada aumentou, consideravelmente, na década de 1660, mercê do fim da Guerra dos Trinta Anos (1659). Sucedia que, nessa época, o exército português estava melhor preparado e equipado, em resultado de apoios franceses e alemães e da contratação de experientes mercenários estrangeiros. 


Nestas condições, Portugal conseguiu virar o curso da guerra a seu favor, situação que se consolidaria após a batalha de Montes Claros (1665).




Nesse mesmo ano morreu Filipe IV, o último rei da dinastia que governou Portugal de 1580 a 1640, pelo que ficou eliminado mais um obstáculo ao entendimento definitivo. Firmada a paz em 1668, a Espanha reconheceu finalmente a Independência de Portugal .











 Nota importante : Os autôres de tôdas belíssimas Ilustrações aqui apresentadas , estão mencionados no excelente blogue  o Gato Alfarrabista na Sua Loja de Papel

23/07/2015

« Deus Manifestado ... »

 
Adão e Eva no Paraíso Terreal (Gustave Doré)

  Queria , na sequência das profecias de Portugal publicadas anteriôrmente  , apresentar-vos um luminôso e até profético texto do amigo Carlos S Silva .

A Colheita de Cristo/Revelação e Apocalipse
(traducção livre de« Reaping the Harvest») 
Pintura de Nathan Green 

Um texto , que de forma clara , esmiúça o que se Passa por detrás do Véu de Ilusão criado por Lúcifer , o qual perpassa pela vida de cada um de nós , sêres humanos , dêsde o nascimento até á morte física , e do qual só nos conseguimos Libertar , SE Entregues consciente e fielmente ,  ao Podêr Superiôr que é o nosso Criadôr .

 
Jesus Caminha por sôbre as águas na Tempestade do Mar da Galileia

Estamos a Vivêr o Apocalipse , que , ao contrário do que muita gente julga , não é exclusivamente um Tempo de Destruição , mas sim , simultâneamente , um Tempo de Revelação .  Revelação , em primeiro lugar , a um nível Individual(não confundamos Indivíduo com ego...) , mas , consequentemente , estendida á Humanidade inteira , da forma que cada um possa Compreendêr , e adaptada ás diferentes Tradições e  culturas , pois Dêus , É PAI de tôdos e não só de alguns que se julgam salvos só porque dizem pertencêr a esta ou aquela  religião ... 

 

 
  O Bom Samaritâno de Dan Burr

Pois Dêus , Quer a tôdos Trazêr para Casa .

 

Êste é Um Tempo Especial e o Final de um Ciclo Evolutivo , não só da Humanidade , mas da Mãe Terra com tôdas as Suas Criaturas. Daí , considerar também nêste texto ,  uma facêta  bastante abrangente e profética estando nós  a Vivêr o Tempo Final dêste Ciclo Evolutivo. Texto êste , perfeitamente Actual e iluminadôr , permitindo a quem o quiser fazêr , tornar mais consciente o dia-a-dia de cada alma , no sentido Maior de Regressarmos á Casa do Pai .

 

 
(De autôr desconhecido)

  Faz-me ,  portanto ,   tôdo o sentido , publicá-lo e , melhor do que tudo , Partilhá-lo com quem quiser aprendêr . 

Deixo-vos , portanto , em Paz , para que possam desfrutar desta Excelente leitura que tanto  bem pode fazêr á nossa alma . 







« ...                 No princípio, era o Verbo
                        e o Verbo estava com Deus
                        e o Verbo era Deus.
                        No princípio, Ele estava com Deus.
                        Tudo foi feito por meio Dele
                        e sem Ele nada foi feito.
                        O que foi feito Nele era a Vida,
                        e a Vida era a Luz dos homens;
                        e a Luz brilhou nas trevas,
                        mas as trevas não a compreenderam.

                                                            S. João  1, 1-5

Francisco de Holanda de aetatibus mundi imagines
1545-1573
(Nota: Francisco de Holanda era Português.Privou com El-Rey Dom Sebastião .
Quiz ligar a sítios Portuguêses , mas os que encontrei estavam quase tôdos infectados com o  AO.)


            Deus manifesta-se assim através da Criação. A Criação cresce no meio das trevas, do nada, preenchendo-o. Cresce harmónicamente, através do que muitos teólogos e pensadores chamaram “a Música Celestial” ou “a Música das Esferas”; a “Música de Shiva”, segundo os hindus.Um crescimento harmónico equivale a um crescimento cristalino.



Assim, o Universo da Criação cresce, expande-se como um imenso cristal, numa estrutura multifacetada – conceptual, energética, material – e perfeita. É uma matriz cristalina de perfeição absoluta, onde se cruzam energias, matéria, tempo, destinos, sonhos...


Helios   /   sun god



  É a “Teia de Wyrd” da Tradição Nórdica, de base ternária (as três nornas que a tecem), 



 Die Nornen Urd, Werdanda, Skuld, unter der Welteiche Yggdrasil
de  Ludwig Burger (1825-1884)


tal como a Trindade Cristã, Hindu ou Egípcia.



As 3 Nornas de Johan Ludwig Gebhard Lund
numa interessante visão bastante cristã .



O contrário, continuando a analogia, encontramos na Terra – que é parte da Criação – muitas rochas e materiais de estrutura amorfa, outros de estrutura micro-cristalina (o granito, por exemplo), e outras, para nosso deslumbramento, de estrutura límpida e cristalina.




A Pedra de Toque (título livre)
criação artística de  PÊNABRANCA



 
 Assim, desde a mais remota antiguidade, o Homem quase venera as mais puras dessas estruturas como pedras “preciosas”, imagem que são da estrutura da Criação.
Temos então uma analogia entre a ordem – símbolo da Criação, do Universo manifestado e onde se manifesta Deus – 

Terra - Consciência -Evolução


e o caos – caracterizado por um crescimento amorfo, entrópico, onde a ausência de ordem leva a todas as aberrações ou, quando muito, à produção de uma massa informe e cinzenta. 


Caos Universal por CatalystSpark


Contudo, tal massa, a existir, será uma adulteração da matéria-prima da Criação, parte que cresceu desordenadamente, como um carcinoma maligno. 
E , no entanto , a Criação é perfeita, cristalina, e o seu plano de crescimento também cristalino. E não-entrópico.
            Deparamos pois com uma anomalia.



Lúcifer é expulso dos Reinos Celestiais de Gustave Doré  

            Anomalia que decompõe a Criação, que deriva dela, que tem existência, embora aberrante. Assim sendo, essa anomalia não pode ser resultado do nada, do vazio, da treva. 
O nada é estéril; do nada, nada resulta, nada é criado, já que o nada é a própria antítese da Criação.
            De onde decorrerá então essa anomalia? E porquê?
            Ocorre-nos quase de imediato a fábula do “aprendiz e feiticeiro”. Algo ou alguém que quer imitar a Obra do Mestre e não consegue obter senão horrendas caricaturas. E que, não o conseguindo, a tenta destruir. 



Lúcifer ,  fotografia de Louc Viatour


Chegamos então ao Anjo Caído, a Lúcifer. Que não sendo o nada – o nada nada é – quer também ele criar ou, na impossibilidade de o fazer como o Criador, tenta destruir a Criação de Deus. Para que só a dele exista, sem possibilidade de comparação.
            A essa criação aberrante pertencem os ogros, os trolls e demais criaturas sombrias de todos os folclores e de todas as tradições. E também, num aspecto muito menos mitológico, possivelmente os vírus, cuja única função parece ser o da destruição da Criação.


Sionismo


 Mas em breve voltaremos a este assunto.
            Assim, capaz apenas – no seio de uma imensa massa de “criação” amorfa – de elaborar, quando muito, pequenos cristais de uma beleza duvidosa e passageira como uma ilusão – Lúcifer é o senhor das ilusões – roído pelo orgulho e pela inveja, o Anjo Caído e os seus companheiros tentam então destruir a Criação Divina, destruir a Matriz Cristalina de Luz que a sustenta. 


Projecto Bluebeam de Reinhard Ponty


Como? Decompondo-a, corrompendo-a, desagregando-a, para que, separada assim do núcleo “onde a Vontade de Deus é conhecida”, ela seja aspirada e destruída pelo vórtice insaciável do nada. 



Buraco nêgro de mohsenaliyar



 É o assalto das “forças da dissolução” contra as “Forças da Harmonia”, de que falam tantas religiões. É o Apocalipse, para os Cristãos, o “Ragnarok”, para os (...) Germanos e Vikings...




            É uma posição incómoda e instável, a de Lúcifer ou Iblis (como lhe chamam os muçulmanos), e dos seus companheiros de sombra; um equilíbrio entre a Luz e a treva – o nada – tentando destruir a Criação da Luz e, mesmo assim, não soçobrar na treva. 


Não tentarás ao Senhôr teu Dêus !(título livre)
do original «Denying satan» 
de  Carl Heinrich Bloch


É, no fundo, uma tarefa destinada ao fracasso, já que a “criação” diabólica é instável e volátil como as ilusões. E uma vez destruída a Matriz de Luz (nunca o será!), a estrutura da Criação, a Teia de Wyrd, toda a estrutura de dissolução da sombra seria num momento desconjuntada e aspirada no turbilhão do nada. 



 Friedrich Heine, O Cedro Yggdrassil, 1886


Lúcifer sabe-o bem. Mas não recua. Sabe que a sua salvação – e a da sua “criação” aberrante e ilusória – seria o abandonar a sombra para regressar à Luz. 


Lúcifer perante Dêus PAI de  Mihály Zichy


Só assim poderia fazer face à treva. Mas não cede. Por orgulho. O mesmo orgulho que lhe provocou a queda, ao se recusar a adorar a Criação de Deus.

 

Lúcifer antes da Queda (Título livre para «Seraphim) 
 de  Thitipon Dicruen

 

 Ele, que havia sido criado a partir do fogo, iria “rebaixar-se” a adorar uma Criação feita de barro (Corão, Capítulo XVII, suras 61 a 65)? 


 A Criação (título livre) de Betsy Porter

Só que, no imenso orgulho que o dominava, Lúcifer não compreendeu que ele fora criado a partir de um só elemento – o fogo – e com características próprias desse mesmo elemento; e a Criação Divina, sendo a manifestação de Deus, era constituída pelos quatro elementos alquímicos. E que sendo a manifestação de Deus, seria a Deus que Lúcifer estaria a adorar quando adorasse a Criação.

 
Adoração dos Anjos a Dêus  de Rubens


            “Houve então uma batalha no Céu; Miguel e os seus Anjos lutaram contra o dragão. E o dragão lutou, juntamente com os seus anjos, mas foram derrotados, e não se encontrou mais lugar para eles no Céu” (Apocalipse, 12, 7-8).


Gustave Doré


            Lúcifer caiu e tornou-se Satanás ou Satã, que quer simplesmente dizer “adversário”, “parte contrária”. Escondeu-se nas sombras dos mundos inferiores, ele que fora portador da Luz, agora dela privado. Errando nas sombras da orla da Criação, quase na “terra de ninguém” que a separa da treva, do abismo, do nada.


No sub-mundo de Satanás-Lúcifer  de Gustave Doré


            Na sombra, nos mundos mais densos e materiais, tenta a sua criação de aprendiz. Não possui o “código sagrado”, o “código inviolável” – para alguns estudiosos o próprio código do ADN – , chave da vida na Matriz Divina. 


 
A Matriz Divina (título livre para «Double Helix») 
de Mark Henson


Ou, pelo menos, não consegue reproduzir esse código na sua perfeição original e, assim, dele resulta degeneração e corrupção. Criam-se monstros de “vida” efémera e dolorosa. Então, apenas na posse de parte desse código, dominado pelo ódio e pelo orgulho ferido, Satanás cria imensos exércitos de minúsculos semi-seres, quase micro-autómatos de destruição – os vírus – para, no plano material, corromper a Criação. 


Desenho de David Dees 
Um « Cocktail » de Vírus , Bactérias e Químicos mortais


Repare-se que um vírus não é  própriamente um ser vivo (não é flora, como as bactérias), mas apenas uma cápsula com receptores moleculares, contendo uma porção de código de ADN – o suficiente para se reproduzir, auto-copiando-se, e penetrar e destruir o ADN das células vivas. No início, causando uma infecção; no extremo, um cancro.
            Isto ao nível de micro-cosmos material.


CERN , a abrir as portas do Inferno


 Ao nível de macro-cosmos, o ataque à Matriz cristalina toma outros contornos. No que diz respeito a este continuum de espaço-tempo em que estamos, ou seja, a esta matriz de realidade, esse ataque dissolutivo focou-se na substituição – ou antes, na sobreposição – da Matriz Cristalina por uma matriz corrompida, uma matriz de sombra, que age como uma espécie de “véu pintado”, um cenário sombrio, como diziam alguns filósofos chineses. Mas de que modo se pode a matriz de sombra sobrepor à Matriz original?


São João Evangelista em Patmos 
de  Hieronymus Bosch 


            De um modo simplista, podemos considerar uma matriz de realidade como constituída por Luz, Espaço e Tempo, uma constituição ternária, portanto. É como uma estrutura energética fluída, cuja fixação ou consolidação digamos, material (poderíamos dizer que lhe é atribuída “consistência”), é obtida através do seu preenchimento com pensamentos – a nível energético – palavras (o Verbo) e acções ou obras. Podemos compará-la ao plano de base e aos alicerces de uma catedral medieval, sobre os quais, aos poucos, vai sendo construída a “Casa de Deus”. Assim, sobre a Matriz Primordial – divina – desta realidade, é construída a “Casa de Deus”, ou seja, a própria realidade.


Mosteiro de Santa Maria da Victória

            O que as sombras Luciferinas fizeram foi, em tempos remotos (desde há cerca de 144.000 a 128.000 anos até cerca de 14.000 anos, data aproximada do último dilúvio e do afundamento do Continente Atlante), corromper essa matriz, substituindo o parâmetro de Luz por um de sombra (no fundo, ocultando a luz). Os outros parâmetros ficaram por isso distorcidos, ampliando-se ilusoriamente as distâncias (o Espaço) para haver a ilusão do isolamento e da separação com o Criador, e separando os três rios do Tempo (passado, presente e futuro), que correm como um só (Eterno Presente) na Matriz Divina. 



O Dilúvio de FRAGGIE 


Novamente uma separação, uma dissolução, embora ilusória. Assim, sobre uma matriz sombria, começaram a construir o seu templo escuro. Pelas acções nefastas de seres humanos dominados por pensamentos de cobiça, ganância, orgulho, inveja e ódio. Pela instalação, a partir dessa matriz de sombra, da ilusão do medo no coração do homem, da ilusão da conquista e subjugação violenta dos outros e da própria Natureza – face bem visível da Criação – como forma (sempre ilusória) de tentar ultrapassar esse mesmo medo.


Gandi


            Assim, pouco a pouco, em ciclos viciosos e viciados de medo, ódio e destruição, as hostes do Anjo Caído foram construindo o seu edifício de sombra, de ilusão e de dissolução, contando colocar as “pedras de fecho” das abóbadas negras por alturas da presente era (passagem do segundo para o terceiro milénio), consolidando desse modo a matriz de sombra, tornando-a real e não mais uma ilusão sombria (embora, como sabemos, tal estrutura não pudesse durar muito). 


Satanás-Lúcifer a presidir ao Concílio Infernal de John Martin


Assim, Satanás não deverá ser chamado “Príncipe do Mundo” mas, mais propriamente, “Príncipe da matriz de sombra”, da realidade sombria ilusória que tem coberto o Mundo.
            Contudo, o Criador enviou sempre os seus mensageiros e auxiliares a todas as raças, a todas as espécies, durante todo o decorrer da ilusão temporal. Até à humana, nesta esfera azul de um sistema solar remoto entre a imensidade de galáxias do seu Universo Criado pelo Amor. 



Uma Teia Doirada de John Melhuish Strudwick


Uma pequena esfera azul onde se cruzam uns quantos fios da “Teia de Wyrd”, onde existe um dos muitos nós da Matriz inicial. E onde se cruzam tantas e tantas vidas, tantas e tantas alegrias e sofrimentos. Um cruzamento de destinos é mesmo isso. Um lugar movimentado... e atribulado.




            Os mensageiros são muitas vezes conhecidos como Anjos ou génios, muitas vezes por esse mesmo nome – mensageiros – como Maomé, por exemplo. Ou por profetas, ou por Mestres, como Buda, Confúcio, Lao-Tseu. Ou por Messias ou Ungidos, como Jesus de Nazaré.


        

   Jesus que disse “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, por oposição a Satanás, o caído, que se diz “o abismo, a mentira (ou ilusão) e a morte”. A ordem e a harmonia, por oposição ao caos e à dissolução. Jesus foi o “Christos”, o Ungido, pois nele – no homem Joshua Ben Joseph (Jesus Filho de José) – habitou o Cristo Cósmico, o filho do Verbo Divino, a Energia Criadora de Deus. A força de um Universo inteiro a condensar-se em pouco mais de trinta anos terrenos num corpo material e humano, minúsculo à escala universal, nesta parte do Universo, nesta pequena-grande encruzilhada da “Teia de Wyrd”, neste nó da Matriz original.


 
«A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não A receberam. ...»
 

            Com que finalidade? Pregar? Ensinar? Isso fizeram tantos e tantos mensageiros, conhecidos e desconhecidos, que esta e outras humanidades encontraram. 

 
 
« ... O Verbo era a Luz verdadeira,que, ao vir ao mundo,a todo o homem ilumina. 
Êle estava no mundo e por Êle o mundo veio à existência, 
mas o mundo não o reconheceu. ...»
João 1:9-10

 
É claro que a Mensagem de Jesus é importantíssima, acrescentando à velha lei cármica da causa e efeito (Aquele que matar pela espada, morrerá pela espada), conhecida desde os tempos da inversão – como podemos chamar-lhe – da matriz, especialmente entre os hindus e os budistas,

 
Ôlho-por-ôlho-dente-por-dente ... 
 O Código de Hamurabi(1780 A.C.)
 por Robert Thom


 por uma outra lei, a ela superior: a Lei do Perdão, ligada às Leis do Amor. Amor ao próximo, amor ao não-próximo, amor por toda a Criação. Perdão através do arrependimento interior, através da consciencialização dos erros cometidos. Não como faltas, repare-se, pois o Criador não castiga, mas como erros, como ilusões negativas, vindas da sombra.




            Equivale a Sua Mensagem a um separar de águas: por um lado, temos os pensamentos, sentimentos e emoções próprias da Luz, edificadores do edifício da Matriz Original; são eles a Alegria, o Amor, a Bondade, o Prazer, a Beleza, a Força construtiva e serena, a Sabedoria. 


A Mãe do Verbo Encarnado e Nossa Senhôra,
  A Dispensadora da Misericórdia, 
A Mediadora das Graças, 
A Santa Sofia,
 A Protectôra da Sabedoria , 
A Senhôra da Montanha da LUZ ,
A Senhôra da LUZ do MAR,
A Stella Maris da Luz da Citânia 



Por outro lado, temos os opostos, característicos da matriz de sombra: o medo, a ganância, o ódio, a inveja, a estupidez, a mentira, a fraqueza face a solicitações negativas, a força destruidora e violenta, a maldade, a dor, o sofrimento, a desolação. 


O Jardim dos Prazêres Terrênos - Inferno (o painel direito) 
Hieronymus Bosch


Poderíamos ainda acrescentar a essas matrizes duas qualidades ou campos de actuação predominantes: O Ser, próprio da matriz luminosa e o Ter, mais próprio da matriz de sombra.
            Podemos, especulando um pouco mais, eleger como representativo das duas matrizes – a de Luz e a de sombra – as qualidades do Amor e do medo, respectivamente. O medo, ainda mais do que a maldade, é o que leva todos os seres vivos deste planeta a serem subjugados por uma mera ilusão.




 de  João de Dêus 


É quase – e aqui a parábola é directa – o efeito paralisante do olhar de uma serpente sobre a sua presa, que fica paralisada de medo, em vez de se defender ou de fugir. E da paralisação das suas faculdades deriva a sua manipulação pela matriz de sombra, que se alimenta literalmente das energias negativas citadas, principalmente da do medo. Alimenta-se e cresce, como um tumor maligno, assim como a Matriz Divina o faz, mas crescendo cristalinamente a partir das energias e pensamentos positivos. Da energia do Amor, principalmente. “Amai-vos uns aos outros, tal como eu vos amei a vós”, disse Jesus.



A Cruz Reverdecida de Giovanni da Modena



            Muito resumidamente, terá sido esta a essência da sua mensagem, uma lei de Amor e Perdão, superior às leis naturais de causa e efeito, substituindo nas religiões do Homem a ideia de um deus castigador (o Jeová do Antigo Testamento, por exemplo), por um Criador Infinitamente Bom. 



  Mensagem do PAI-do-CÉU á Humanidade


 
“Em nome de Deus, beneficente e misericordioso!”, assim diz a primeira sura ou versículo do Corão, aquela que entra em todas as orações muçulmanas. Também para afastar o medo dos corações dos homens. E, assim, ensinar a construir a Matriz de Luz e a não fornecer energia à matriz de sombra.
            Mas, dissemos, ensinar foi o que fizeram quase todos os mensageiros, profetas, e Mestres que esta Terra conheceu. A missão de Jesus, o Cristo, foi de um alcance infinitamente maior.



            Como também dissemos, durante os trinta e poucos anos da sua vida terrena, o Homem Jesus foi acumulando – por assim dizer – no seu corpo físico e energético a energia de todo um Universo, a energia manifestada do Criador. Por isso mesmo, os muçulmanos chamam a Jesus – para eles Issá, de Joshua – o “Filho do Verbo Divino”. Do Verbo como energia criadora[1].


«Êste É O Meu Filho Muito Amado No Qual Pus Tôda a Minha Complacência ! »
O Baptismo de Jesus por  Grigori Grigorevich Gagarin

 
            “Esta já não é a comemoração da passagem da servidão para a liberdade”, terá dito Jesus na Última Ceia, referindo-se à Páscoa judaica, “mas a Passagem da servidão da morte para a liberdade da Vida”.



A Última Ceia de Carl Heinrich Bloch 



            Poderíamos quase interpretar estas palavras como sendo a Passagem da servidão imposta pela matriz de sombra para a liberdade da Matriz Divina. 


Revelação : A Mulher e o dragão
por Gustave Doré
 

Restaurada, portanto.
            “Destruam este Templo e eu o reconstruirei em três dias”, disse Jesus. 


« Destruí Êste Templo ... »

três dias que tudo mudaram.
            No dia seguinte ao da Ceia, Jesus é crucificado, morto numa cruz. Cruz que, em latim, é crux, que também significa cadinho (o cadinho alquímico), e que também equivale a... matrix, matriz, mãe...



Mãe Terra de David Demaret 



            No momento da morte de Jesus, a Energia do Cristo Cósmico – a Energia criadora do Universo – acumulada e contida naquele único e frágil corpo, é libertada num único instante. É uma imensa explosão de Luz que se expande em vagas concêntricas, a uma velocidade avassaladora, e que varre literalmente todo o Universo. Não houve caverna, gruta, entranha, molécula, átomo, planeta, estrela, galáxia, que não fosse por ela varrida, por ela banhada, por ela purificada. A partir de um nó da Matriz, numa encruzilhada da “Teia de Wyrd”, no ponto de encontro dos braços da Cruz[2].
            “Qualquer movimento ou perturbação num dos fios da teia, fá-la vibrar na sua totalidade”, diz a Tradição nórdica, numa antecipação notável do “efeito borboleta”. E este não foi um simples movimento, foi uma explosão de magnitude cósmica. Tão grande e tão poderosa que arrancou todos os “pontos de ancoragem” da matriz de sombra, desarticulando-a e destruindo-a.





          “À hora sexta, houve trevas sobre toda a Terra, até à hora nona” (S. Marcos, 15, 33). “Então, o véu do Santuário rasgou-se em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas fenderam-se.” (S. Mateus, 27, 51). O véu do Templo não só se rasgou, rasgando-se simbolicamente o véu da ilusão, mas o próprio Templo ruiu. E a escuridão assinalou a destruição da matriz de sombra. Por todo o Universo.
            Três dias depois, Jesus ressuscita. É Ele o primeiro ponto de ancoragem da nova Matriz de Luz. É Ele o reconstrutor do Templo. Do Templo que sempre deveria ter sido, e que agora é.
            Mas, pensamos, então porquê este arrastar das condições negativas, mesmo deste exacerbar do medo, do ódio, do mal?... Tudo próprio da matriz de sombra? Bom, temos de considerar primeiro uma certa inércia de todo o processo no denso mundo material que habitamos. Depois, podemos comparar essas energias negativas a “materiais de construção” do templo negro que Satanás e os seus seguidores edificavam sobre a matriz de sombra. Só que essa matriz já não existe há dois mil anos. E, quando os trabalhadores da sombra se preparavam para assentar a abóbada, verificaram que o edifício já não tinha alicerces (dois mil anos são um instante, em termos de tempo cósmico) e que ruía por toda a parte.

 A Destruição da Tôrre de Babel de 
Crispijn de Passe the Elder 


            Assim, atarefam-se agora, em desespero, a tentar tapar brechas e rombos numa estrutura que se desagrega inexoravelmente, numa estrondosa derrocada. Precisam assim, urgentemente, de mais material de construção: de mais ódio, de mais medo, de mais mentira. 


Os anjos Caídos preparam-se para a Guerra
de  Gustave Doré


Apesar de saberem já não conseguirem salvar o seu sinistro edifício. Apesar de saberem que a sua estrutura desconjuntada – e os que nela participaram – separada do “Centro onde a Vontade de Deus é Conhecida”, separada da Criação, será inelutavelmente “aspirada” para o vazio do nada, para as trevas.






            Mas Deus é o Criador infinitamente bondoso e, no seu infinito perdão, pede aos seus Anjos e Mensageiros que estendam a mão aos obreiros da sombra, que seguem agarrados ao seu destroço condenado, à sua matriz negra. E logo infinitas mãos de Luz se estendem para esses caídos, até para Satanás, oferecendo-lhes a Salvação da Luz. Mas, obcecados pelo orgulho, os obreiros sombrios têm recusado a ajuda que lhes é oferecida. Afadigam-se a remendar o seu destroço gigantesco, na ilusão de poderem evitar que ele seja tragado pelo nada, tentando angariar mais mão-de-obra e mais matéria-prima. 

 Martin van Heemskerck , Philips Galle The Destruction of Babylon1


Remendá-lo com elementos furtados, desviados da Criação, da Matriz Divina. Em vez de a Ela se juntarem e assim enfrentarem o nada no seio do maravilhoso projecto criativo do Ser que Foi, que É e que Será. Para todo o Sempre. Conhecido por todos os seus nomes e por eles chamado: Deus, Alá, Ali, Eli, Eloi, Elohim, o Ser Supremo, o Grande Espírito Branco, Manitú, Tyr, Odin, Wotan, Brama, Osíris, o Grande Arquitecto do Universo...


A Victória Final de Cristo(título livre)
 de uma ilustração de Bernhard Plockhorst


            Contribuamos pois para a construção da Casa de Deus, sobre a Matriz de Luz da “Nova Jerusalém Celeste”. Os materiais, já os conhecemos... já os sabemos escolher. Os planos e métodos de construção também – ensinaram-nos Jesus, Buda, Maomé e tantos outros.
            Mãos à Obra!

                                                            Murches, Cascais, 30 de Maio de 2002»



[1] “Recorda-te quando os anjos disseram: «Ó Maria! Deus te anuncia um Verbo, emanado d’Ele, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria; será ilustre nesta vida e na outra; e estará entre os próximos a Deus» (Corão, Capítulo III, sura 45).
[2] “E é aí que floresce a Rosa”, diz, entre outras, a tradição rosacruciana.